MUMA

Nossa proposta para a expansão do Museu do Meio Ambiente partiu do objetivo do Museu de desenvolver, divulgar e estimular a sustentabilidade de varias formas, além do atendimento às especificações dos conteúdos programáticos.

A intenção instigar as pessoas sobre temas ambientais, encorajando-as a incorporar esses conhecimentos nas suas consciências, nas suas práticas e nas suas relações com o mundo.

A morfologia dos edifícios remetem à natureza como expressões biomiméticas, da natureza no ambiente construído: como uma semente sobre o terreno. Este envelope como semente remete à emergência de estrutura ideológica para nosso posicionamento consciente quanto a impactos ambientais de dimensões planetárias e as possibilidades de repercussão inimagináveis em poucas décadas. E a  semente também reproduz a conectividade da arquitetura sustentável com a natureza, despertando para os ritmos ambientais do clima, do dia/noite, das estações e de relações entre o interior e o exterior.

A construção é estruturada por grelha em diagrid, em que feixes de peças estruturais se cruzam em diagonais formando a casca do volume, sem que sejam usados pilares ou vigas. Como uma semente construída, esta estrutura em diagrid permite que no seu interior se desenvolvam planos livres, sem pilares ou vigas.

As lajes nervuradas dos pisos tem aberturas formando mezaninos no segundo e terceiro níveis, o que garante maior integração dos espaços de exposição, qu podem ser fechadas, flexibilizando o uso e a experiência nos espaços do edifício.

Os fechamentos entre as grelhas estruturais nas fachadas são em vidros, com partes que podem ser abertas para ventilação natural. Na área da cobertura os vidros são célulasgeradoras de energia solar fotovoltáica e fixados na área externa dos losangos estruturantes, como fonte alternativa para parte do consumo energético do edifício, conduzindo águas pluviais para serem recolhidas no seu limite inferior.

O edifício para o auditório e a administração compartilha com o edifício para exposições o vocabulário estético e estrutural da casca em forma de grelha diagonal. Mas em vez de reproduzir a realização formal como semente, realça a característica curva deste tecido estrutural como envelope para caule cilíndrico.

Este edifício concentra no nível térreo os ambientes para a administração e os banheiros para o público. A escada, de desenho similar ao do edifício para exposições de longa duração, garante o acesso de portadores de necessidades especiais aos andares superiores. A área de circulação vertical foi privilegiada neste edifício, para garantir a maior interação do edifício com o entorno e entre os andares. No nível acima, o auditório recebe o apoio de sala de projeção e copa, que também atende a eventos na cobertura.

A vista privilegiada da baía e do relevo do Rio é característica em quase toda a extensão do terreno. Para valorizá-la, predomina a envoltória com panos de vidro. No entanto, para garantir o conforto térmico da habitação, são usados beirais pergolados e painéis móveis com brises horizontais em aço corten, para evitar a incidência direta do sol e chuva.

Há um prisma que intercepta toda a volumetria em sua dimensão vertical, permitindo permeabilidade visual e circulação de ar desde a garagem ate o segundo pavimento. Esse prisma é encerrado por alta parede verde, limítrofe com a construção vizinha, que amplia a privacidade e o conforto termo-acústico para os ambientes da casa.

O nível da cobertura é praticamente todo descoberto, privilegiando eventos ao ar livre e sua integração visual com as áreas do paisagismo para exposição exterior e com as residências tombadas que o circundam. O piso do terraço é feito de cobertura vegetal, captando águas pluviais que são conduzidas ate reservatório enterrado no subsolo, próximo à cisterna de abastecimento de água para o edifício.

FICHA TÉCNICA

Área Construida: 550 m²

Execução: 2010

Arquitetura: Viviane Cunha Arquitetura

Equipe: Viviane Cunha, Rosi Vellasco

3D: Ricardo Nascimento

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